Arquitetura no Brasil

DESPERTAR O RESPEITO E CUIDADO TEÓRICO E PRODUTIVO PARA A ARQUITETURA E URBANISMO BRASILEIRO.

REGIONAL junho 7, 2010

ARQUITETURA REGIONAL

A utilização de madeira na construção não é nenhuma novidade. Desde a antiguidade ela é utilizada seja de uma maneira funcional ou decorativa. O que mudou com o tempo foram as técnicas de construção com madeira, seu melhoramento em relação à resistência ao tempo e a forma que este material é utilizado na arquitetura.

Com exceção da região Sul, que teve uma imigração de povos do Norte e Leste europeu como os alemães, poloneses, húngaros etc., poucas regiões mantêm essa tradição. Os sistemas e técnicas adotados são referências das construções de seus países de origem.

BREVE HISTÓRICO DE CHAPECÓ

Segundo o Tratado de Tordesilhas assinado em 1494, a região onde hoje se encontra a cidade de Chapecó seria de propriedade espanhola. Os donos destas terras era ainda o povo indígena, que não conhecia o significado de propriedade. Somente por volta de 1641, os primeiros homens brancos, bandeirantes, chegaram a essa região.

Mais tarde essa região passou a ser motivo de disputa entre Brasil e Argentina, e começou a ser chamada de “Território da Questão das Missões”, a questão teve fim em 1895, com a vinda de uma Comissão de Estudo e Investigação dos vestígios de posse, que fixou as fronteiras definitivas entre as duas nações.

Terminadas as disputas internacionais, ocorreu uma questão de limites entre os estados do Paraná e Santa Catarina, que acabou por desencadear a Guerra do Contestado, (1912-1916).

Tantas disputas por território acabaram dificultando o processo de colonização na região, mas este foi intensificado com o estabelecimento dos desbravadores afim de explorar os recursos naturais abundantes, especialmente a araucária. A extração da araucária atraiu também colonos vindos do Rio Grande do Sul, que se fixaram na região e fundaram em 25 de agosto de 1917 o município de “Xapeco”, que na língua tupi significa “lugar de onde se avista o caminha da plantação”. Com a fundação do município, se deu inicio ao ciclo da madeira, a principal atividade econômica da cidade entre 1920 e 1950.

Por volta dos anos 40, muitos imigrantes riograndeses, de principalmente de etnia alemã, italiana e polonesa se instalaram em Chapecó, e são responsáveis pela caracterização da cultura européia presentes na região.

CHAPECÓ NO ANO DE 1950, COM APENAS 5 MIL HABITANTES   Fonte: http://radiocomunitariaefapi.blogspot.com

ARQUITETURA EM CHAPECÓ

A arquitetura dos chalés teve inicio em Chapecó e na região desde sua colonização, sendo a técnica construtiva edificações em madeira predominante na paisagem. Neste momento as companhias colonizadoras incentivadas pelo Estado, tiveram papel importante no desenvolvimento, na ocupação e na difusão das atividades econômicas na região, tornando-se um atrativo, para muitas famílias vindas do Rio Grande do Sul. Desenvolve-se então uma arquitetura local, com características colonial, neoclássica, art deco, eclética e moderna.

Dentre os primeiros assentamentos o traçado urbano não é concebido como preocupação principal, posteriormente algumas vias principais são lançadas Fernando Machado e Nereu Ramos no sentido norte-sul e Quintino Bocaiúva e Uruguai, de modo a sobressaírem das outras, recebendo em sua extensão numero maior de assentamentos, e que ficam caracterizadas até os dias atuais como vias importantes economicamente.

Esses colonos e seus descendentes seriam os responsáveis pela caracterização da cultura e da arquitetura com traços europeus, tão marcantes para a época e presentes até hoje na cultura e nos traços das edificações.

A abundância de madeira na região, aliada as técnicas construtivas dos imigrantes italianos e alemães torna as construções viáveis e lógicas nesta fase da arquitetura Chapecoense. Evidencia-se o aparecimento de varandas e soluções de telhados simples, que se molda aos costumes e tradições dos seus usuários.

VARANDA

EDIFICAÇÃO DE CHALÉS

EDIFICAÇÃO DE CHALÉS

A troca ou a implantação de novas técnicas construtivas ocorre devido a instalação de olarias na região, ajudando na demarcação e da econômica e da importância que Chapecó exerce até os dias atuais na região. Após isso, a economia que se caracterizada pela exploração a araucária e pelas olarias, recebe novos incentivos e novas formas de desenvolvimento, com a implantação de indústrias, que consolidam o traçado anteriormente projetado pelos desbravadores.

Com a valorização dos lotes urbanos, a verticalização foi uma das mudanças mais significativas no âmbito urbano, mostrando assim um certo descaso com o valor patrimonial do município.

Podemos ainda ver alguns fragmentos da nossa história, que hoje parecem não fazer parte do contexto formal da cidade, em apenas alguns poucos pontos, há ainda a presença de edificações que contam e fazem parte da nossa cidade.

Por mais que reste parte da história, não é dada a devida importância para ela. As poucas edificações ainda existentes não demonstram receber os devidos cuidados. Pouca ou inexistência de manutenção fazem com que elas pareçam apenas um entulho na cidade e não nossa história.

ARQUITETURA REMANESCENTE Fonte: Arquivo caseiro

ARQUITETURA REMANESCENTE Fonte: Arquivo caseiro

ARQUITETURA REMANESCENTE - DESCUIDO COM O PATRIMÔNIO Fonte: Arquivo caseiro

ARQUITETURA REMANESCENTE Fonte: Arquivo caseiro

ARQUITETURA MODERNA EM CHAPECÓ

Com as emancipações na década de 60, a cidade começa um acelerado processo de crescimento, o qual parece ter afetado diretamente a produção arquitetônica de Chapecó, pois está não demonstra nenhum conjunto estilístico significativo.

Chapecó – década 60

Fonte: Arquivo do CEOM - Centro de Memória do Oeste de Santa Catarina

A década de 70 é marcada por pela chegada de novas atividades, como o ensino superior – Fundest – e a instalação de empresas alimentícias e de transporte. Neste momento Chapecó possuía uma população de 20.591 habitantes e inicia o processo consolidação do núcleo urbano, dez anos mais tarde já contava com uma população de 55.286 habitantes.

Chapecó – década 70

Fonte: Arquivo CEOM - Centro de Memória do Oeste de Santa Catarina

A produção modernista entra na cidade conquistando certo público no espaço urbano, apesar desta nova proposta não constituir uma paisagem única, destaca-se pelas linhas retas e puras características deste período.

Centro Administrativo Sadia

Geralmente percebido como positivista, tecnocêntrico e racionalista, o modernismo universal tem sido identificado como a crença do progresso linear, nas verdades absolutas, no planejamento racional de ordens sociais ideais, e com a padronização do conhecimento e da produção.Geralmente percebido como positivista, tecnocêntrico e racionalista, o modernismo universal tem sido identificado como a crença do progresso linear, nas verdades absolutas, no planejamento racional de ordens sociais ideais, e com a padronização do conhecimento e da produção.

Centro Administrativo Sadia Fonte: http://www.portalchapeco.com.br/municipio.htm

Antiga Secretaria de Obras, demolida em 2009 - Fonte: Arquivo CEOM - Centro de Memória do Oeste de Santa Catarina

CLUBE RECREATIVO CHAPECOENSE Fonte: Arquivo CEOM - Centro de Memória do Oeste de Santa Catarina

Geralmente percebido como positivista, tecnocêntrico e racionalista, o modernismo universal tem sido identificado como a crença do progresso linear, nas verdades absolutas, no planejamento racional de ordens sociais ideais, e com a padronização do conhecimento e da produção.

ARQUITETURA CONTEMPORÂNEA

Pode-se dizer que o grande diferenciador desta produção, está no uso de diversos materiais, na liberdade de composição das formas, extensão entre interior e exterior e vice-versa, valorização da cultura tanto local quanto global, entre outros. Nota-se que um dos pontos fortes da contemporaneidade foca a inserção e a vinculação à paisagem urbana. Cabe ao arquiteto e urbanista contemporâneo atender as necessidades e desejos de seus clientes, como em outras épocas, com o diferencial de ter como principal aporte para sua tomada de decisões a sua própria criatividade, sem ter linhas características a seguir que não as suas próprias.

Glicério Weber

Valburga Dubai

Muitos prédios antigos são demolidos ou desfigurados. Para alguns cidadãos, o progresso é sinônimo da substituição do antigo pelo novo.

Também devemos enfatizar a questão das obras sobreviveram a “destruição”. Elas encontram-se totalmente maquiadas por placas e outdoor´s, pois não receberam sua devida conservação patrimonial.

REFERÊNCIAS:

FORTES, Adílio. A proto-história do município de Chapecó, oeste de Santa Catarina:1641 a 24-08-1917. São Paulo: Carthago, [s. d.]. 85 p.

PELUSO JUNIOR, Victor Antônio. Aspectos geográficos de Santa Catarina. Florianópolis: FCC, 1991. 284 p.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Chapec%C3%B3 acesso em 25.05.2009.

TOMASELLI, Bianca. Modernismo em Santa Catarina. Disponível em: http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?id=12458 Acesso em: 24/05/2009.

 

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