Arquitetura no Brasil

DESPERTAR O RESPEITO E CUIDADO TEÓRICO E PRODUTIVO PARA A ARQUITETURA E URBANISMO BRASILEIRO.

MODERNA maio 31, 2010

MODERNISMO NO BRASIL (início do século XX)

O movimento moderno, antes de ser uma linguagem estética, foi uma atitude ética e comportamental e importante na mudança dos hábitos sociais. Uma das principais bandeiras desse período  é a rejeição dos estilos históricos. Com o título de Ornamento é Crime (1908) Adolf Loos critica o que acreditava ser uma arquitetura preocupada com o supérfluo e o superficial. O movimento deu início a uma nova fase estética, propondo o abandono das tradições que vinham sendo seguidas até então.

Os arquitetos enfrentaram algumas dificuldades como a hostilidade da opinião pública, a legislação local, o alto custo dos materiais industrializados (vidro, ferro e cimento), e os métodos construtivos ainda artesanais. Mas aos poucos, estas dificuldades foram superadas. (BRUAND, 2001, p. 64)

Duas máximas se tornaram as grandes representantes do modernismo: menos é mais (frase do  arquiteto Mies Van der Rohe) e a forma segue a função (“form follows function”, do arquiteto proto-moderno Louis Sullivan, também traduzida como forma é função). Estas frases, vistas como a síntese do ideário moderno, tornaram-se também a sua caricatura. Os edifícios deveriam ser econômicos, limpos, úteis.

Esse movimento artístico e cultural iniciou na Europa e começou a ter seus ideais difundidos no Brasil a partir da primeira década do século XX, através de manifestos de vanguarda,  na Semana da Arte Moderna, realizada em 1922, ano do centenário da Independência do Brasil, com o intuito de romper com as tradições do passado e promover a independência cultural frente à Europa, especialmente Portugal e França. A manifestação foi um protesto aos conservadores e um desafio à opinião pública para um novo olhar sobre as artes, as letras e a arquitetura. (BRUAND, 2001, p. 62-63)

Mas o Modernismo foi introduzido no Brasil através da atuação e influência de arquitetos estrangeiros adeptos do movimento, embora tenham sido arquitetos brasileiros, como Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, que mais tarde tornaram este estilo conhecido e aceito. Foi o arquiteto russo Gregori Warchavchik quem projetou a “Casa Modernista”, a primeira casa em estilo Moderno construída em São Paulo. O projeto apresentava fachada livre de ornamentos, com o emprego de linhas e ângulos retos. A fachada livre foi o único dos cinco pontos de arquitetura a ser utilizado nesta edificação.

Conservou-se alguns aspectos da arquitetura tradicional como a grande varanda na face posterior da residência (típica das casas de campo do período colonial), e a cobertura de telha capa-e-canal.

MODERNISMO EM SÃO PAULO

O movimento moderno nos anos 60 e 70, ficou conhecido como brutalismo. Sua característica mais marcantes é a utilização de concreto bruto, tijolos aparentes, instalações aparentes, destaque das caixas d’água, destaque volumétrico de elevadores e escadas. O conjunto arquitetônico reunia a composição com ênfase: na horizontalidade; nos jogos de níveis quase sempre reunidos num bloco único; tratamento cuidadoso de estrutura de concreto armado aparente.

Algumas obras merecem destaque: o Museu de Arte de São Paulo (MASP) da arquiteta Lina Bo Bardi e a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, de Villanova Artigas.

MASP

Inaugurado em outubro de 1947. O terreno da Avenida Paulista havia sido doado com a condição de que a vista para o centro da cidade bem como a da serra da Cantareira fosse preservada, através do vale da avenida 9 de Julho. Assim, a arquiteta idealizou um edifício sustentado por quatro pilares permitindo, assim, aos que passam pela avenida, descortinar o centro da cidade. O corpo principal pousado sobre quatro pilares laterais com um vão livre de 74 metros, a estrutura avançada exigiu uma solução cujo desafio foi aceito pelo professor Dr. José Carlos de Figueiredo Ferraz que aplicou seu sistema de protensão.

MODERNISMO NO RIO DE JANEIRO

No Rio de Janeiro o movimento moderno chegou por volta de 1931, após a primeira visita de Le Corbusier à cidade. Mas foi por volta de 1936 que de fato o espírito funcionalista foi empregado na arquitetura carioca. O edifício emblemático desta fase é, sem dúvidas, a sede do Ministério de Educação e Saúde.

Edifício Gustavo Capanema

Também conhecido como Ministério da Educação e Saúde, é um edifício público localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro, é considerado um marco da Arquitetura Moderna Brasileira, pois é o primeiro prédio modernista construído. Foi projetado por uma equipe composta por Lucio Costa, Carlos Leão, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcellos e Jorge Machado Moreira, com a consultoria do arquiteto Le Corbusier.

O projeto procura seguir as remomendações como o uso de pilotis com uma altura de 9m – com o conceito de permeabilidade dos pedestres no térreo, a vedação do edifício é feita por cortinas de vidro, sendo utilizado brise-soleil – horizontais e verticais – para evitar a incidência direta de radiação solar na fachada norte, fachada-livre, planta-livre e o terraço-jardim.

Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes (Pedregulho) – 1946

Projetado por Affonso Eduardo Reidy, em 1946, o Pedregulho adota o uso de pilotis com modulação, cobogós, formas sinuosas – orgânicas, janelas em fita. Por ser elevado sobre pilotis em dois pavimentos, tem-se a sensação de leveza do edifício.

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) é a obra mais conhecida do arquiteto Affonso Eduardo Reidy, cujo projeto paisagístico é Burle Marx. O edifício segue a orientação da arquitetura racionalista moderna, que vigorava no momento. É resultado de linhas retilíneas, localiza dois pilares em uma única sapata, possui fachada envidraçada protegida por brises verticais – pilares – e horizontais para protegê-la da incidência direta de radiação solar, planta-livre, fachada livre e seu térreo é elevado favorecendo a permeabilidade dos pedestres.

Casa das CanoasA Casa das Canoas foi projetada em 1951 e construída em 1953 por Oscar Niemeyer para sua residência no Rio de Janeiro.
MUSEU DE ARTE MODERNA Fonte: http://nimages.blogspot.com/2007/10/museu-de-arte-moderna-do-rio-de-janeiro.html

Casa das Canoas

A Casa das Canoas foi projetada em 1951 e construída em 1953 por Oscar Niemeyer para sua residência no Rio de Janeiro.

“Minha preocupação foi projetar essa residência com inteira liberdade, adaptando-a aos desníveis do terreno, sem o modificar, fazendo-a em curvas, de forma a permitir que a vegetação nelas penetrasse, sem a separação ostensiva da linha reta”. Oscar Niemeyer.

O arquiteto nesta obra utiliza um conceito vindo da arquitetura modernista organicista de que “a arquitetura nasce do lugar”. Utiliza principalmente de linhas sinuosas e fachada com vedação de cortinas de vidro.

Complexo da Pampulha

Foi inaugurada em 1943, no momento mais efervescente da consolidação da arquitetura modernista em Belo Horizonte. A Pampulha foi criada para ser um local de lazer e de turismo, com uma Igreja dedicada a São Francisco de Assis, um cassino, um clube e uma casa de baile.

Casa de Baile – 1943

Seu desenho é inspirado na paisagem em que se insere, sua arquitetura possui curvas que acompanham as formas da lagoa. Esta edificação utiliza as regras da Corrente Modernista Orgânica, pela utilização de formas que relembrem a natureza. Possui planta-livre, bem como, fachada livre e, a utilização de panos de vidro, dando a sensação de leveza.

Igreja São Francisco de Assis – 1943

Principal obra do complexo da Pampulha, uma das mais importantes do Oscar Niemeyer. Seu interior abriga 14 painéis que retratam a Via Sacra e a vida de São Francisco.

Esta edificação se encaixaria na Corrente Modernista Organicista pela utilização das formas da natureza, relembrando as formas sinuosas da Lagoa da Pampulha. É um edifício assimétrico, demonstrando a ousadia de Niemeyer.

IGREJA SÃO FRANCISCO DE ASSIS Fonte: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=658370

Museu de Arte da Pampulha – 1943

Primeiro projeto de Oscar Niemeyer, começou como um Cassino. Em 1957, o chamado Palácio de Cristal passou a funcionar como Museu de Arte. Sua concepção foi influenciada pelos princípios de Le Corbusier. Os jardins, assinados por Burle Marx, são uma homenagem ao verde tropical. Complementando a obra.

Este edifício possui uma mescla em relação à forma na sua concepção estética, na fachada frontal do museu percebe-se o predomínio de linhas retilíneas, bem como, no encontro da edificação com a Lagoa da Pampulha suas linhas são principalmente sinuosas. A construção é assimétrica, mas mesmo assim, possui uma modulação dos pilare – com o uso de cheios e vazios através da modificação da altura da estrutura.

MODERNISMO EM BRASÍLIA

Mantida menção a uma futura mudança da capital para o interior do país, entre 1946 e 1953 comissões de localização foram nomeadas para o mapeamento da capital, foi uma dessas comissões que escolheu o local onde deveria ser instalada a nova capital, Brasília.

No dia 19 de setembro de 1956 foi lançado o edital para o concurso do plano piloto, que estabelecia o prêmio de um milhão de Cruzeiros para o autor do projeto vencedor. A nova capital nascia da expectativa de se encontrar um projeto que imprimisse a contemporaneidade e a ousadia esperada de Brasília. Até o dia 11 de março de 1957, a comissão julgadora do concurso tinha recebido 26 projetos.

O projeto escolhido foi o de Lúcio Costa, que promove o encontro de dois eixos.

PLANO PILOTO DE LUCIO COSTA Fonte: http://bhpbrasil.spaces.live.com

Brasília é uma cidade totalmente construída com idéias modernistas. O valor do seu plano urbanístico e de seus monumentos faz com que Brasília seja um marco mundial da arquitetura e urbanismo modernos. Assim, a Capital do Brasil foi o primeiro núcleo urbano, construído no século XX, digno de ser incluso na lista de bens de valor universal, recebendo o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, em 1987, pela UNESCO. O reconhecimento de seu valor patrimonial fundamentou-se no plano urbanístico de Lúcio Costa, concebido em quatro escalas estruturais: • Monumental – que abriga a alma político-administrativa do País; • Gregária – representada por todos os setores de convergência da população; • Residencial – composta pelas Superquadras Sul e Norte; • Bucólica – que permeia as outras três, por se destinar aos gramados, praças, áreas de lazer, orla do lago Paranoá e aos jardins tropicais de Burle Marx.

EIXO MONUMENTAL Fonte:http://www.candangosfest.com.br

Ele eliminou cruzamentos para que o tráfego dos automóveis fluísse mais livremente, concebeu os prédios residenciais com gabarito uniforme e construídos sobre pilotis para não impedir a circulação de pessoas. Uma cidade rodoviária com amplas avenidas e vasto horizonte, valorizando o paisagismo e os jardins.

Para compor o plano urbanístico, Oscar Niemeyer projetou monumentos marcantes, considerados o melhor da expressão arquitetônica moderna brasileira.

Um exemplo marcante é o Congresso Nacional, cuja forma e dimensões escapam aos padrões usuais, atraindo a atenção dos especialistas mundiais para a solução estrutural adotada.

Referências Bibliográficas

http://www.unb.br/fau/pos_graduacao/paranoa/edicao2007/formas_estruturais_arquitetura_brasilia.pdf

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-de-brasilia/historia-de-brasilia-6.php

 

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