Arquitetura no Brasil

DESPERTAR O RESPEITO E CUIDADO TEÓRICO E PRODUTIVO PARA A ARQUITETURA E URBANISMO BRASILEIRO.

ECLÉTICA maio 31, 2010

ARQUITETURA ECLÉTICA (VIRADA SÉC. XIX PARA SÉC. XX)

Chamada até bem pouco tempo de “anti-arquitetura”, o ecletismo produzido no Brasil amargou a indiferença até mesmo de órgãos oficiais como o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Essa preocupação em reconhecer e valorizar a produção desse período é relativamente recente. Até cerca de vinte ou vinte e cinco anos atrás havia um preconceito muito grande com relação a essa arquitetura.

A arquitetura eclética refere-se a um movimento arquitetônico predominante desde meados do século XIX até as primeiras décadas do século XX, foi uma tendência dentro do academicismo, trazido pela Academia de Belas Artes – fundada no período neoclássico, é assim chamada para comportar as mais diversas interpretações do vocabulário formal dos estilos anteriores.

Por todo o século XIX, o que se viu na Europa, matriz cultural de todas as manifestações artísticas que ocorreram no mundo naquele período, foi uma busca de uma nova linguagem formal que correspondesse às transformações pelas quais passaram as sociedades dos países desenvolvidos e industrializados” (MONTEZUMA, 2002, p. 152).

Em arquitetura, o ecleticismo é a mistura de estilos arquitetônicos passados para a criação de uma nova linguagem arquitetônica. O termo arquitetura eclética é usado em referência aos estilos que exibiam combinações de elementos que podiam vir da arquitetura clássica, medieval, renascentista, barroca e neoclássica, entre outras. Com isso, buscava-se negar a ligação com o passado português fazendo referências a novas fontes de culturas, como a França e a Itália.

SECRETARIA MUNICIPAL DA RECEITA - PELOTAS, RS Fonte: http://img148.imageshack.us/img148/8720/f01d.jpg

RESIDÊNCIA DO INGLÊS HENRY GIBSON Fonte: http://farm1.static.flickr.com/92/278225594_b54d9e4167.jpg

Nas primeiras décadas do século XX, o ecletismo tem o seu auge, com o aumento das grandes construções neste estilo pelo país, estendendo sua área de influência desde as elites em seus palacetes até as camadas mais baixas da população, que também começa a erguer suas residências em um estilo eclético simplificado, dentro de seus recursos. As residências eram liberadas em relação aos limites do lote. Este esquema consistia em recuar os limites laterais, conservando-o frequentemente sobre o alinhamento da via pública.

RESIDÊNCIA PELOTAS Fonte: Camilla Schiavini - Julho 2008

Uma das características marcantes do periodo foram os novos materiais e produtos existentes no mercado através da facilidade de importação, que repercutem de forma bastante significativa na construção das coberturas. Desta maneira, apresenta se para a sociedade da época um amplo leque de soluções possíveis na aparência dos telhados, que podem adquirir diferentes aspectos de acordo com o estilo de inspiração. Com isso vem o aprimoramento das técnicas em relação a madeira, resultando em uma estrutura de telhado mais perfeita, e aparece o uso das telhas francesas de Marselha, característica marcante do período. Alem disso tem a importação do cobre, e é mais freqüente o uso de platibandas decoradas.

CÚPULA DO TEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO Fonte: http://www.emdiacomacidadania.com.br/arquivo

No aspecto arquitetônico as  principais características são:

  • As edificações eram com base, corpo e coroamento;
  • Simetria, composição e proporção eram as diretrizes para o projeto;
  • Uso de ornamentos com, colunas, flores etc;
  • Utilização de estátuas vinculadas a estética e função do prédio;
  • Com a importação de nova matéria prima para construções como o Ferro (Arquitetura do Ferro), à então o surgimento de edifícios feitos de ferro que possui traços do ecletismo.
  • As obra apresentavam dramaticidade, conforto, expressividade, luxo, emoção e exuberância.

Chamada até bem pouco tempo de “anti-arquitetura”, o ecletismo produzido no Brasil amargou a indiferença até mesmo de órgãos oficiais como o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Essa preocupação em reconhecer e valorizar a produção desse período é relativamente recente. Até cerca de vinte ou vinte e cinco anos atrás havia um preconceito muito grande com relação a essa arquitetura.

ESTAÇÃO DA LUZ - SÃO PAULO Fonte: http://www.sampaonline.com.br/postais/estacaodaluz.jpg

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MONTEZUMA, Roberto. “Arquitetura Brasil 500 anos”. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2002.
REIS FILHO, Nestor Goulart. “Quadro da Arquitetura no Brasil”. São Paulo: Perspectiva, 1987.

 

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