Arquitetura no Brasil

DESPERTAR O RESPEITO E CUIDADO TEÓRICO E PRODUTIVO PARA A ARQUITETURA E URBANISMO BRASILEIRO.

NEOCLÁSSICA maio 31, 2010

ARQUITETURA NEOCLÁSSICA (1820 ATÉ FINAL SÉC. XIX)

Em 1816, desembarca no Brasil a Missão Artística Francesa, contratada para fundar e dirigir no Rio de Janeiro uma Escola de Artes e Ofícios. Em 1826 é fundada a Academia Imperial de Belas-Artes, futura Academia Nacional, que adota o gosto neoclássico europeu e atrai pintores estrangeiros de porte, com isso as construções tornaram-se mais refinadas. A integração do Brasil no mercado mundial possibilitou a importação de equipamentos que contribuíram para este refinamento.

É possível afirmar que a influencia Neoclássica se deu no Brasil em dois níveis diferentes; nos centros maiores do litoral especialmente Rio de Janeiro, Belém e Recife que tinham contato direto com a Europa, desenvolveram um nível mais complexo de arte e arquitetura e se integrou nos moldes internacionais de sua época; e nas províncias. Existia preocupação pelo aperfeiçoamento técnico, mas se dependia de materiais importados.

No país, a tendência torna-se visível na arquitetura. Seu expoente é Grandjean de Montigny (1776-1850), que chega com a Missão Francesa. Suas obras, como sua própria residência na Gávea, o Solar Grandjean de Montigny – PUC-Rio, adaptando a estética neoclássica ao clima tropical.

.                                                                 SOLAR GRANDJEAN DE MONTIGNY 2008                                                                       http://www.puc-rio.br/sobrepuc/depto/solar/historia_solar.html

As residências das famílias mais abastadas normalmente se localizavam nas chácaras, como se deu também no tempo colonial. As residências urbanas nas Províncias constituíam cópias imperfeitas da arquitetura dos grandes centros do Litoral, pois ainda que seus construtores e proprietários pretendessem estar realizando obras neoclássicas, na maioria dos exemplos esta vinculação com a temática e linguagem do neoclássico era muito superficial.

Segundo REIS FILHO, a arquitetura neoclássica brasileira estava na dependência de importação dos materiais e mão-de-obra especializada ou que apenas disfarçava com aplicações a precariedade da mão-de-obra escrava, o neoclássico não chegou a corresponder o aperfeiçoamento maior da construção do Brasil, ainda que tenha provocado transformações de importância, as inovações técnicas seriam introduzidas a partir do Ecletismo após a decadência do trabalho escravo e o início da imigração européia.

As casas rurais obedeciam aos padrões da arquitetura residencial urbana mais modesta, mas as transformações arquitetônicas se limitavam à superfície; papéis decorativos importados da Europa, pinturas aplicadas sobre as paredes de terra para assemelhar-se aos interiores europeus, onde muitas vezes se pintavam fingimentos, sugerindo uma ambientação neoclássica jamais realizável com as técnicas e matérias disponíveis no local.

Com a Independência, os senhores de terra e de escravos assumiram a arquitetura da época que firmou-se em duas versões: o neoclássico oficial, da Corte, quase todo feito de importações. E a versão provinciana, simplificada, feita por escravos, exteriorizando nos detalhes as ligações dos proprietários com o poder central.

PALÁCIO DOS GOVERNANTES Fonte: Livro - Arquitetura Brasil 500 anos - Roberto Montezuma, p. 142

RESIDENCIA DO BARÃO RODRIGUES MENDES, ATUAL SEDE DA ACADEMIA PERNAMBUCANA DE LETRAS Fonte: Livro - Arquitetura Brasil 500 anos - Roberto Montezuma, p. 150

A mudança em relação à arquitetura colonial/barroca deu-se no uso de uma nova tipologia: a casa de porão, para a ventilação dos ambientes, para uma menor insalubridade nas residências, aumentando a higienização; a utilização de colunas, frontões e escadas de pedra na fachada das edificações. Além disso, a substituição dos beirais por platibandas com seus respectivos condutores d’água, o uso de telhados de quatro águas, e de vidro simples ou colorido na parte superior das portas e janelas, também são característicos deste período.

Quanto as características arquitetônicas podemos destacar algumas das principais, como:

  • Aparecimento de materiais como: Pedra, Granito, mármore e madeira;
  • Processos técnicos avançados, com sistemas construtivos simples;
  • Uso de formas geométricas, e principalmente da simetria;
  • Uso de abóbodas e cúpulas;
  • Frontões triangulares e colunas;
  • Elevação nas edificações com uso de escadas;
  • Uso da platibanda;
  • Aparecimento de outras pigmentação nas cores;
  • Além dos guarda – corpo e balcões, surge a sacada.

TEATRO DA RIBEIRA DOS ICÓS (1860) CEARÁ http://www.animadoresdobrasil.com.br/dia/2008/cidades/ico.html

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MONTEZUMA, Roberto. “Arquitetura Brasil 500 anos”. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2002.
REIS FILHO, Nestor Goulart. “Quadro da Arquitetura no Brasil”. São Paulo: Perspectiva, 1987.

 

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